Ellen Araújo


Olhe para mim, você não vê o quanto dói? Você não vê o quanto machuca? Não, me perdoe esqueci que você não olha para os outros, esqueci que você só pensa em você e quanto ao resto? Que se foda. Você sempre foi assim, o amor que eu tinha por você me tapava os olhos e então sua futilidade mostrava-se bela, suas mentiras soavam verdadeiras, seu sorriso maldoso era doce. Por muito tempo eu me mantive assim, meus olhos estavam abertos apenas pra você e não existia mais ninguém. Diga-me, como você está agora que sua máscara está caindo? Não sei você, mas eu estou muito bem. Eu me entreguei a você, eu me tornei vulnerável, eu dediquei minhas horas e os meus dias só pra te fazer feliz, e o que eu ganho por te dar o meu amor? Desprezo e feridas que demorariam a serem curadas ou que talvez nem curadas fossem. Oh não, não fique assustado ao ler o texto, esse não foi o primeiro, mas provavelmente foi o último. Eu estou muito melhor sem você e acredite você não me faz falta nenhuma, até porque sua presença nunca existiu de fato, você é um objeto que não serve mais, que já está gasto. Você se tornou tão previsível, tão constante, tão insignificante que seus atos não têm dimensão e importância para aqueles que estavam acostumados a te “venerar”. Onde estão os seus amigos agora? Nunca parou pra pensar que talvez não tivesse nenhum? Mas relaxa você se vira não é? Sempre se virou.
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