Ellen Araújo
 
   A tarde parecia convidativa, os raios do sol adentravam pela janela, o vento batia suavemente e fazia meu cabelo esvoaçar , o barulho da cidade estava distante e só o que eu conseguia ouvir era o palpitar do meu coração espremido em meu peito. Olhei para fora, e o sentimento de liberdade me invadiu, então sai sem rumo, apenas levando comigo os meus pensamentos, medos, certezas e convicções. Sentei-me naquele banco, daquela mesma praça onde te vi pela primeira vez. Aquela praça foi o início e o fim de tudo, a praça sempre foi o nosso núcleo, que sem proteção foi invadido e destruído sem que soubéssemos a razão dos fatos. Sem que eu percebesse meu olhar foi desviando e me levando a árvore onde tínhamos gravado nossas iniciais ingenuamente achando que com isso imortalizaríamos o nosso amor. Flashes de lembranças inundaram minha cabeça, e por mais que eu tentasse voltar ao presente e a realidade, isso simplesmente era mais forte do que eu, mais forte do que eu queria que fosse. Senti tudo rodar, fechei meus olhos e te enxerguei ali na minha frente, levantei a minha mão para te alcançar, mas a sua imagem se desfez entre os meus dedos. Peguei a areia que estava no chão e comecei espalhar-las enquanto andava, no intuito de que assim como o vento levava à areia, ele levaria também os fragmentos de tristeza que ainda existiam em mim.
Ellen Araújo
   Finalmente abri o guarda-roupa onde estão as lembranças que me torturam que me deixa vulnerável. A sua blusa preferida ainda está na gaveta do jeito que você deixou, a gravata amarrotada está jogada como se não tivesse nenhum valor. Então o seu cheiro invade o quarto, as roupas e mais do que tudo me invade fazendo com que me lembre dos seus últimos instantes comigo. Novamente eu caio e não consigo levantar, não consigo me mexer, e imperceptivelmente sinto o gosto salgado das lágrimas que escorrem pela minha face. Eu pensei que você seria meu por tempo indeterminado, cheguei a visualizar um futuro distante ao seu lado, eu planejei cada passo, cada detalhe, e só me esqueci do que mais importava “o tempo”.
Ellen Araújo
  Será que eu devo sentir falta dos seus abraços falsos, ou dos beijos que você usou para se satisfazer? Será mesmo que eu devo perder as minhas noites fazendo planos com uma pessoa tão fútil como você? Não eu não devo. Eu não posso me deixar virar escrava desse amor, eu não posso me iludir cada vez mais, eu não posso deixar-me abater, eu tenho que ser forte para vencer todos os obstáculos.

sem ideia hoje! :S