Ellen Araújo
 
   A tarde parecia convidativa, os raios do sol adentravam pela janela, o vento batia suavemente e fazia meu cabelo esvoaçar , o barulho da cidade estava distante e só o que eu conseguia ouvir era o palpitar do meu coração espremido em meu peito. Olhei para fora, e o sentimento de liberdade me invadiu, então sai sem rumo, apenas levando comigo os meus pensamentos, medos, certezas e convicções. Sentei-me naquele banco, daquela mesma praça onde te vi pela primeira vez. Aquela praça foi o início e o fim de tudo, a praça sempre foi o nosso núcleo, que sem proteção foi invadido e destruído sem que soubéssemos a razão dos fatos. Sem que eu percebesse meu olhar foi desviando e me levando a árvore onde tínhamos gravado nossas iniciais ingenuamente achando que com isso imortalizaríamos o nosso amor. Flashes de lembranças inundaram minha cabeça, e por mais que eu tentasse voltar ao presente e a realidade, isso simplesmente era mais forte do que eu, mais forte do que eu queria que fosse. Senti tudo rodar, fechei meus olhos e te enxerguei ali na minha frente, levantei a minha mão para te alcançar, mas a sua imagem se desfez entre os meus dedos. Peguei a areia que estava no chão e comecei espalhar-las enquanto andava, no intuito de que assim como o vento levava à areia, ele levaria também os fragmentos de tristeza que ainda existiam em mim.
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